Sábado, 19 de Junho de 2021 06:30
18 99746 6403
Polícia Polícia

Justiça decreta prisão de pais, acusados pela morte do próprio filho de dois meses, em Presidente Prudente

Menino morreu em virtude de asfixia mecânica por sufocação direta e politraumatismo, apresentando lesões recentes e não recentes.

24/05/2021 08h09
Por: Redação Guia Online Parapuã - Diogo Oliveira Fonte: Informações G1
Foto: João Martins/TV Fronteira
Foto: João Martins/TV Fronteira

Em audiência de custódia realizada na manhã deste sábado (22), a Justiça decretou as prisões preventivas do homem de 31 anos e a mulher, de 21 anos, indiciados por homicídio doloso triplamente qualificado contra o próprio filho, um bebê de apenas dois meses de vida, em Presidente Prudente (SP).

Incialmente, o homem foi encaminhado para a Cadeia de Presidente Venceslau e a mulher para a unidade prisional feminina de Dracena.

Lesões aparentes

O depoimento de um médico legista foi determinante para a Polícia Civil decidir prender em flagrante e indiciar por homicídio qualificado os pais de um bebê de apenas dois meses de vida que morreu nesta sexta-feira (21) em Presidente Prudente (SP).

A morte da criança foi constatada por volta das 9h30, na unidade da Estratégia de Saúde da Família (ESF) do Jardim Morada do Sol, e a Polícia Civil só conseguiu concluir o Boletim de Ocorrência registrado sobre o caso às 20h34.

O pai, de 31 anos, e a mãe, de 21 anos, foram indiciados para responderem por homicídio doloso triplamente qualificado, segundo o Boletim de Ocorrência:

  • por motivo fútil;
  • com emprego de meio insidioso ou cruel, ou de que resulte perigo comum; e
  • à traição ou mediante dissimulação ou outro recurso.

De acordo com as informações do Boletim de Ocorrência, os policiais militares foram acionados na manhã desta sexta-feira (21) para comparecerem à ESF do Jardim Morada do Sol, após o corpo clínico da unidade ter entrado em contato com o telefone 190 e relatado que uma criança de 2 meses e 20 dias de vida havia chegado com sintomas de agressão ao local, levada pelo pai, e morrido.

Ainda na ESF, os militares mantiveram contato com um médico, que confirmou o óbito e lesões com indícios de agressão.

O pai da criança disse aos policiais militares que residia com a esposa e o filho e que durante a madrugada, por volta das 3h, o bebê acordou vomitando sangue.

Conforme o pai, a mãe pegou a criança no colo e deu-lhe uma chupeta. Como o bebê voltou a dormir, os pais o colocaram no berço e retornaram para a cama. Todos dormiram e a criança permaneceu no berço.

Ao acordarem pela manhã, segundo a versão apresentada à Polícia Militar, os pais notaram que a criança estava desfalecida, mas ainda com vida, e acharam por bem levá-la ao posto de saúde.

O Boletim de Ocorrência ressalta que em momento algum o pai mencionou agressões no relato feito aos policiais militares.

Assim, o pai levou seu filho ao posto de saúde, correndo, a pé.

A criança tinha lesões aparentes nos dois braços e o pai justificou os ferimentos com a versão, segundo o Boletim de Ocorrência, de que a sua esposa havia dormido em cima da criança em duas ocasiões diferentes: uma no dia 5 de maio, quando teria sido causada a lesão no braço direito, e a outra na semana passada, resultando no ferimento no braço esquerdo. Na primeira ocasião, os pais teriam levado a criança para atendimento no Hospital Regional (HR), onde o bebê teria sido medicado e recebido alta alguns dias depois. Já na segunda ocasião, os pais teriam ficado com medo de perder a guarda do filho, enfaixaram a criança em casa mesmo e não a levaram a um posto médico.

Os policiais militares também questionaram a mãe e ela manteve a versão do pai da criança. Segundo o Boletim de Ocorrência, a mulher disse que, após fazer a criança dormir, durante a madrugada, voltou a repousar com o marido; pela manhã, ao notar que seu filho estava desfalecido, por orientação de uma tia, levaram o bebê para socorro médico.

Segundo os militares, em momento algum, durante o primeiro atendimento, os pais mencionaram eventuais agressão, queda recente ou batida na parede ou no chão que pudessem ter vitimado a criança.

O casal foi levado à Delegacia Participativa, onde, em interrogatórios feitos pela Polícia Civil na presença de um advogado, negou qualquer tipo de agressão ao filho e manteve a maior parte das versões dadas aos militares.

O corpo da criança foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

Múltiplas fraturas ósseas

O médico legista que trabalhou no caso foi ouvido pela Polícia Civil e, após a necropsia, declarou que a vítima teria falecido em virtude de asfixia mecânica por sufocação direta, traumatismo crânio-encefálico com hemorragia intracerebral e politraumatismo, com múltiplas fraturas ósseas, apresentando lesões recentes e não recentes, segundo o Boletim de Ocorrência.

A Polícia Civil, após analisar os fatos e provas apresentados – em especial, os depoimentos dos militares, as versões dos interrogados e, principalmente, a declaração do médico legista, que apontou as lesões na vítima –, entendeu que havia indícios de autoria e materialidade, bem como o estado flagrancial, ratificou a prisão dos pais da criança e pelos mesmos motivos determinou o indiciamento do casal pela morte do próprio filho.

As investigações sobre o caso terão prosseguimento através da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), com eventuais oitivas do corpo clínico do posto médico e de outras testemunhas, além da juntada de laudos, com o intuito de se individualizar a responsabilidade de cada um, tanto por ação como por omissão.

 

Ele1 - Criar site de notícias