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Saúde Região

Promotor de Justiça dá prazo de 5 dias para secretário de Saúde apontar estudo científico que ateste a eficácia do ‘tratamento precoce’ contra a Covid-19

‘Além da ineficácia apontada, o grande problema da propaganda ou da implantação desse tratamento precoce é que passa para a população a ideia ou esperança de que existe cura ou imunização (além da vacina) para a Covid-19’, alerta representante do Ministério Público do Estado de São Paulo.

25/03/2021 08h50
Por: Redação Guia Online Parapuã - Diogo Oliveira Fonte: Informações G1
O promotor de Justiça Marcelo Creste afirma que a comunidade científica não mais propõe o 'tratamento precoce' para o enfrentamento da pandemia de Covid 19 — Foto: Reprodução/TV Fronteira
O promotor de Justiça Marcelo Creste afirma que a comunidade científica não mais propõe o 'tratamento precoce' para o enfrentamento da pandemia de Covid 19 — Foto: Reprodução/TV Fronteira

O promotor de Justiça Marcelo Creste deu um prazo de cinco dias para o secretário municipal de Saúde de Presidente Prudente (SP), Delton Eustásio Ferraz, informar ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE) qual o estudo científico duplo-cego e randomizado que atesta a eficácia do “tratamento precoce” contra a Covid-19, em especial no que toca à formulação de política pública e gasto de dinheiro público.

Segundo o representante do MPE, a cobrança foi feita nesta quarta-feira (24) após tomar conhecimento de que a Prefeitura pretende distribuir para a população o chamado “kit Covid”, com ivermectina e hidroxicloroquina, como medida de enfrentamento ao novo coronavírus.

“Informo que o motivo da requisição é que, atualmente, após algumas dúvidas, a comunidade científica não mais propõe o mencionado tratamento precoce para o enfrentamento da pandemia de Covid 19”, salienta o promotor de Justiça.

No ofício encaminhado ao secretário de Saúde, Creste enumera relatos de apontamentos sobre a inviabilidade e a ineficácia do alardeado tratamento.

“Além da ineficácia apontada, o grande problema da propaganda ou da implantação desse tratamento precoce é que passa para a população a ideia ou esperança de que existe cura ou imunização (além da vacina) para a Covid-19. Com isso, o cidadão relaxa as medidas sanitárias de prevenção e se infecta, promovendo, assim, maior contaminação social e maior taxa de contágio. E o uso indevido desses medicamentos, caso o cidadão precise ser intubado, agravará o quadro clínico do paciente”, alerta Creste.

Além disso, o promotor de Justiça ainda cita que, nos Estados Unidos, começam a surgir disputas judiciais pela prescrição do noticiado “tratamento precoce”, “o que, invariavelmente, ocorrerá em breve no Brasil, pelo que o poder público deve tomar cuidado para, no futuro, também não ser alvo desse tipo de demanda indenizatória”.

Prescrição

Nesta quarta-feira (24), o secretário de Saúde de Presidente Prudente, Delton Eustásio Ferraz, afirmou em entrevista à TV Fronteira que a administração municipal não é contra o uso de medicamentos já existentes, pois, segundo ele, há protocolos que comprovam a eficácia dos remédios, não só contra a Covid-19, mas também com relação a outras patologias.

“O receituário médico é uma escolha do médico. O médico tem toda liberdade para saber o que ele vai prescrever para o paciente. Se o médico acha que deve ser prescrito, ele vai prescrever. O paciente tem toda liberdade de querer usar ou não. Não é obrigado. Nem o médico é obrigado a prescrever e nem o paciente é obrigado a usar”, declarou o secretário.

Conforme o titular da Saúde, a população não deve aderir à automedicação.

“O que não pode ocorrer é a pessoa fazer a automedicação. Indiscriminadamente, ir lá, tomar a medicação que acha que é, a dosagem errada. Isto que não pode ocorrer. A dose do remédio errada passa a ser veneno”, afirmou Ferraz.

Inicialmente, o secretário esclareceu à TV Fronteira que os medicamentos foram doados ao município pela iniciativa privada e por vários empresários, que também destinaram equipamentos, aparelhagens e outros itens. Porém, posteriormente, Ferraz afirmou que o município pretende comprar os medicamentos.

“O prefeito Ed Thomas [PSB] disse que ia fazer a compra, ia fazer a solicitação do medicamento no nosso Ministério da Saúde”, explicou o secretário.

 

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